segunda-feira, maio 28, 2007

No lugar certo na hora exata.

Conversava com amigas este final de semana e cheguei a seguinte conclusão. As mulheres estão virando geléia. Calma, não tem nenhum maníaco roubando o que sobra delas nas clinicas de lipoaspiração para fazer café da manhã. O problema é ainda mais grave .

Um homem vai ao Empório Santa Maria comprar geléia de framboesa. Desce do seu carro recém lavado, entrega a chave ao manobrista e caminha lentamente em direção ao corredor numero 10. Ele só quer uma geléia de framboesa. Já faz tempo que pensa nisso ao acordar sozinho entre os milhares de fios egípcios do lençol que ganhou da mãe.

As geléias que encontra na geladeira de manhã, nem lembra de onde vieram, acabam no lixo, nem o potinho ele guarda. Está decidido. É hora de parar de comer o que encontra e escolher a geléia certa. Não pode viver assim, de potinho em potinho. Nem validade ele consegue ver mais, tamanha tecnologia. Outro dia foi parar na casa do melhor amigo por conta de uma geléia vencida com data geneticamente alterada.

Enquanto pensa em tudo isso, repara que bem à seu lado, tem uma mocinha oferecendo uma degustação de geléia. A aparência é ótima e ele acaba aceitando. Pede outra torradinha. Anota o nome da geléia e continua andando. Vê a placa com o numero 10 e segue confiante.

No caminho acaba aceitando mais uma ou duas torradinhas de geléias baratas, mas não desiste, hoje vai escolher. Passa a mão na barba, ainda sente um pouco do perfume da loção pós barba Biotherm. Cerra os olhos como se ajudasse a entender como é possível tanta framboesa em tantos potes iguais terem a validade e o sabor tão diferente. Pega uma, da uma olhada na procedência, hum vem do Sul, clima bom, mas já ouviu muitos amigos reclamarem de dor de cabeça no dia seguinte.

Olha outra com uma embalagem chiquérrima e já está quase decidido quando repara na tampa e lembra, já viu essa tampa antes e o que tem dentro não tem nada a ver com a embalagem. Ele fica tentado a ligar para a mãe, mas desiste, já passou dos 35, é hora de escolher a geléia sozinho, até porque, da última vez que deixou a mãe escolher, teve que amargar um mês de café da manhã com a mãe a sogra fazendo planos para o futuro.

Olha bem para a prateleira abarrotada de geléias . Era ela. Lá atrás, sozinha, escondida entre outras marcas. Finalmente a geléia que ele estava procurando. Guarda o blackberry no bolso do paletó e estica o braço para alcançar o último potinho lá no fundo.

Olavo! Oi, quanto tempo!Você por aqui? Ta procurando o que? Geléia?Mas aqui você não vai encontrar nunca. Ah imagina, minha irmã voltou de Tonga e aprendeu uma geléia deliciosa, vem, eu levo você, deixa seu carro ai,depois pegamos. Achou nada, imagina uma geléia que é a sua cara. Cadê? Ih Olavo, não to vendo nada.

Conversamos no caminho, vem. Ah, você não sabe se gosta da geléia que fazem em Tonga?Não tem problema, tenho uma amiga que também faz geléias. Ah Olavo, deixa de ser chato. Se você não gostar de nenhuma delas te dou um pouco da que tenho lá em casa, meu marido trabalha tanto que nem tem tomado café da manhã.

Antes de entrar no carro vê quando outro homem sai com a geléia na mão. Não é possível. Aquele homem demorou menos de dois minutos e escolheu a melhor geléia. Olavo não entende. Ele ia todos os dias ao Santa Maria. Conhecia os manobristas, as caixas, até as mocinhas da degustação. Corre até o homem e pergunta como ele foi tão rápido.

Mas eu não fui ao corredor 10. Fui ao 9. Alguém deve ter empurrado o vidro e ela acabou do outro lado. Olhei e gostei logo de cara, era isso mesmo que eu queria.

2 comentários:

Gaia disse...

Tá difícil.Ta difícil...

Anônimo disse...

ahahahahaha essa é boa